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terça-feira, 8 de setembro de 2026

​O Apocalipse em Modo Avião


Minha inspiração de hoje foi lembrar da música Nostradamus do Ator, humorsta, compositor e gênio 

Eduardo Duzec
Naquela manhã
Eu acordei tarde, de bode
Com tudo que sei
Acendi uma vela
Abri a janela
E pasmei
Alguns edifícios explodiam
Pessoas corriam
Eu disse bom dia Ignorei
Telefonei
Pr'um toque tenha qualquer
E não tinha
Ninguém respondeu
Eu disse: 
Deus, 
Nostradamus
Forças do bem e da maldadeVodu, calamidade, juízo final
Então és tu?
De repente na minha frente
A esquadria de alumínio caiu
Junto com vidro fumê
O que fazer? 
Tudo ruiu
Começou tudo a carcomer
Gritei, ninguém ouviu
E olha que eu ainda fiz psiu!
O dia ficou noite
O sol foi pro além
Eu preciso de alguém
Vou até a cozinha
Encontro Carlota, a cozinheira, morta
Diante do meu pé, 
ZéEu falei, eu gritei, eu implorei
Levanta e serve um café
Que o mundo acabou!
Ouça a música "Nostradamus" de Eduardo Dusek no YouTube:
Vejam como ele parecia adivinhar o que aconteceria decadas depois.

Eu com o meu auxiliar criamos uma crônica sobre esse tema
O relógio da mesa de cabeceira marcava nove e quarenta. Acordei de bode, daqueles mofados que pesam nas pálpebras antes mesmo de o dia começar. Sem paciência para a claridade, tateei o criado-mudo atrás do celular, acendi a luz azul da tela e abri a janela do mundo.
​No feed, o Apocalipse já estava em andamento e contava com milhares de curtidas.
​Notificação urgente: um meteoro de proporções bíblicas se aproximava da Terra. Ao lado, o vídeo em alta definição de um vulcão engolindo uma cidade inteira; logo abaixo, a projeção do aumento da temperatura global para os próximos vinte minutos. O mundo, literalmente, desmoronava em transmissões ao vivo. As pessoas nas redes corriam em pânico digital, postando Stories em caixa alta.
​Eu deslizei o polegar para cima. Bom dia, pensei, e ignorei.
​Arrastei a tela mais um pouco. O Juízo Final estava acontecendo em 4K, mas minha única preocupação real era saber se o entregador do aplicativo conseguiria cruzar o caos urbano para me trazer um café coado. A desgraça do planeta que esperasse na fila; eu tinha uma preguiça monumental para administrar.
​Há quarenta anos, Eduardo Dussek cantava sobre olhar a destruição pela janela do quarto e implorar para a cozinheira passar o café enquanto os edifícios explodiam. A piada mudou de endereço, mas o cinismo continua o mesmo. A diferença é que a nossa janela agora é de vidro temperado e cabe no bolso.
​Nós nos tornamos espectadores profissionais da própria ruína. O mundo pega fogo, a estrutura social estala e a gente continua ali, no sofá, rolando a tela com o polegar anestesiado, alimentando a ansiedade com desgraça alheia enquanto espera a vida esquentar. É o voyeurismo do fim dos tempos.
​Lá fora, a inteligência artificial assumia o controle, o dólar disparava e o profeta da vez anunciava a hora exata do impacto. Aqui dentro, o café finalmente chegou. Dei o primeiro gole, olhei para a notificação de fim do mundo na tela e fechei o aplicativo.
​Afinal, para quem acorda de bode, o fim do mundo é só mais uma terça-feira.
Inspiração Nilo Borgna cosultoria Gemini IA











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