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domingo, 27 de setembro de 2026

Da ONU às Eleições de 2026: A Batalha Política de Netanyahu


O abandono em massa do plenário da Assembleia Geral da ONU durante o discurso do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em 27 de setembro de 2024, foi um protesto diplomático rigorosamente articulado nos bastidores por múltiplos blocos regionais em resposta à crise humanitária na Faixa de Gaza e à escalada de bombardeiros no Líbano.

A Articulação dos Bastidores e a Ação Coordenada
O boicote diplomático não ocorreu de forma espontânea. Dias antes do pronunciamento, diplomatas do Grupo Árabe, da Organização para a Cooperação Islâmica (OCI), do Bloco Africano e de diversas delegações do Global South (incluindo o Brasil, a Turquia e a África do Sul) alinharam uma estratégia conjunta para retirar a legitimidade de plateia da intervenção israelense.
O plano previa que, no instante exato em que o nome de Benjamin Netanyahu fosse anunciado pela mesa diretora da ONU, os chefes de comitiva se levantariam e conduziriam suas equipes para fora da Assembleia Geral.

A imagem ilustra a retirada de diplomatas — incluindo a delegação brasileira — no momento em que o líder israelense se dirigia ao pódio, deixando fileiras inteiras de cadeiras vazias no piso principal da Assembleia Geral.

O Contraste entre o Plenário Vazio e as Galerias
O movimento gerou uma dinâmica dupla dentro do salão da ONU:
O Silêncio no Piso Principal: Com a saída simultânea de dezenas de delegações da América Latina, África, Ásia e do Oriente Médio, setores inteiros do plenário ficaram desertos. Apenas poucas delegações, como a dos Estados Unidos e de aliados próximos de Israel, permaneceram em seus lugares.
A Claque Organizada nas Galerias: Antecipando a rejeição diplomática no chão da Assembleia, a equipe israelense e apoiadores ocuparam assentos nas galerias superiores de visitantes. À medida que os diplomatas se retiravam em protesto sob vaias ruidosas nos corredores, os ocupantes das galerias irromperam em aplausos e gritos de apoio para contrabalançar o esvaziamento do recinto.


A Reação no Pódio e o Impacto Político
Apesar de discursar para uma sala visivelmente desfalcada, Netanyahu seguiu o roteiro previsto. Ele apresentou mapas ilustrativos intitulados "A Bênção" (representando a normalização de relações no Oriente Médio) e "A Maldição" (representando o eixo de influência do Irã), reeditando a postura contundente contra seus opositores.
Para a diplomacia internacional, a imagem do plenário esvaziado simbolizou o aprofundamento do isolamento político de Israel no fórum multilateral, enquanto a comitiva israelense classificou a atitude das nações que se retiraram como uma demonstração de "hipocrisia diplomática".

O boicote ao discurso de Benjamin Netanyahu na Assembleia Geral da ONU foi liderado por uma articulação conjunta de blocos do Global South e do mundo islâmico.
Blocos Regionais Articuladores
Grupo Árabe e Organização para a Cooperação Islâmica (OCI): Constituiram o núcleo da coordenação diplomática. As delegações definiram a saída simultânea do plenário para gerar um impacto visual de isolamento ao líder israelense.  
Bloco Africano (União Africana): Diversas nações africanas alinharam-se ao protesto motivadas pelas denúncias de violações do direito internacional humanitário e pela postura histórica de solidariedade à causa palestina.  
América Latina e Caribe: Países com posições críticas à condução da guerra em Gaza e às operações no Líbano integraram o movimento coletivo de retirada.

Oriente Médio e Mundo Islâmico
Palestina, Turquia, Irã, Arábia Saudita, Egito, Jordânia, Catar, Iraque, Líbano, Síria, Iêmen, Kuwait, Argélia, Tunísia, Indonésia e Malásia.

América Latina
Brasil, Cuba e Peru.

Europa

Espanha (entre outras delegações europeias que optaram por esvaziar suas bancadas ou manter representação mínima sem presença de chefes de Estado).

Em contrapartida, mantiveram-se nos assentos no plenário as delegações dos Estados Unidos (principal aliado de Israel), além de nações como Argentina, Hungria, e países signatários dos Acordos de Abraão, como Emirados Árabes Unidos e Bahrein.

A repercussão na imprensa internacional sobre o abandono do plenário foi altamente polarizada, variando de acordo com o alinhamento geopolítico, a linha editorial e a região geográfica dos veículos de comunicação.

Cobertura Favorável ao Boicote (Mídia do Oriente Médio, Global South e Veículos Progressistas)
Principais Veículos: Al Jazeera, Anadolu Agency (Turquia), Middle East Eye, além de jornais de países do Global South (América Latina e África) e publicações de esquerda no Ocidente.
Enquadramento: O abandono foi retratado como uma vitória diplomática do direito internacional e uma demonstração necessária de rejeição ética e política às operações militares de Israel.  
Pontos de Destaque:
A imagem das cadeiras vazias no plenário da ONU foi amplamente utilizada como metáfora do isolamento internacional de Israel.
Destacou-se que a saída coletiva deu voz à indignação global diante da crise humanitária na Faixa de Gaza e do avanço dos bombardeios no Líbano.
Reportagens enfatizaram a coragem dos diplomatas do Global South em confrontar o discursos do líder israelense em um fórum multilateral.

Cobertura Neutra, Factual e Analítica (AgênciasGlobais e Mídia Tradicional Ocidental)
Principais Veículos: Agências de notícias (Reuters, Associated Press, AFP) e veículos de referência como BBC, The New York Times, Le Monde, The Washington Post e Deutsche Welle.
Enquadramento: O evento foi abordado como um reflexo direto da profunda fratura geopolítica global gerada pelo conflito no Oriente Médio, documentando os fatos de maneira descritiva.
Pontos de Destaque:
O contraste marcante entre o esvaziamento das bancadas dos diplomatas e os aplausos vindo das galerias superiores ocupadas por apoiadores de Israel.
A dualidade de narrativas: registraram tanto o protesto dos diplomatas quanto o discurso contundente de Netanyahu, incluindo sua fala acusando os países que saíram de "covardes morais".  
Análises focaram no dilema da ONU enquanto fórum de mediação, questionando se o boicote evidencia a fragilidade do diplomacia multilateral em momentos de crise severa.

Cobertura Crítica ao Boicote (Mídia Conservadora, Pro-Israel e Mídia de Direita)
Principais Veículos: Fox News, editoriais do The Wall Street Journal, veículos israelenses alinhados ao governo (The Jerusalem Post, i24NEWS) e mídias conservadoras.
Enquadramento: O protesto foi classificado como uma atitude hipócrita, teatral e performática, que ignora a complexidade do conflito e os ataques sofridos por Israel por parte do Hamas e do Hezbollah.  

Pontos de Destaque:  
Replicaram ostensivamente a definição dada por Netanyahu de que os diplomatas que abandonaram a sessão cometeram uma "covardia moral".  
Apontaram que diversos países que lideraram o boicote possuem históricos questionáveis em termos de direitos humanos ou regimes autoritários, acusando-os de virtue signaling (sinalização de virtude).
Argumentaram que abandonar a sala em vez de ouvir o contraditório corrói a essência da Assembleia Geral da ONU, que existe justamente para o debate entre nações divergentes.

A cobertura da imprensa brasileira sobre a saída da comitiva do Brasil do plenário da ONU refletiu a forte polarização política e ideológica do país, dividindo-se em três eixos principais de enquadramento:

Grande Imprensa e Mídia Tradicional (G1, CNN Brasil, Estadão, Folha de S.Paulo)
Enquadramento: Factual, analítico e focado nos bastidores diplomáticos.
Principais Destaques:
Orientação do Itamaraty: Noticiaram que a retirada foi uma instrução direta do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), em protesto contínuo contra as operações militares de Israel na Faixa de Gaza e no Líbano.  
Bastidores da Ação: Apurações de bastidores (como as reportadas pela CNN Brasil) revelaram que integrantes da missão brasileira chegaram a se dirigir ao plenário minutos antes da fala do premiê especificamente para "fazer volume" no momento da debandada coletiva, ampliando o impacto visual do protesto.
Contexto Geopolítico: Os veículos ponderaram que a atitude colocou o Brasil em sintonia direta com a maioria das nações do Global South e do mundo islâmico, marcando o endurecimento da postura do governo brasileiro em relação a Israel.

Veículos Conservadores e de Oposição (Gazeta do Povo, Revista Oeste, Jovem Pan)
Enquadramento: Severamente crítico à decisão da diplomacia brasileira.
Principais Destaques:
Ruptura de Neutralidade: Classificaram o abandono como uma quebra desnecessária da tradição de pragmatismo e equidistância da diplomacia brasileira no Oriente Médio.
Alinhamento Ideológico: Argumentaram que a atitude alinhou o Brasil a regimes autoritários e autocracias do Oriente Médio, fragilizando a imagem do país diante de democracias ocidentais como os Estados Unidos.
Echo da Reação de Israel: Deram grande destaque às palavras de Netanyahu, que chamou os diplomatas que se retiraram de "covardes morais", usando a citação para reforçar a crítica ao governo.  

Mídia Progressista e Alinhada ao Governo (CartaCapital, Brasil 247, Revista Fórum)
Enquadramento: Altamente favorável e laudatório ao gesto do Brasil.
Principais Destaques:
Postura de Altivez: Soblinharam o ato como uma demonstração de altivez da política externa brasileira frente a violações do direito internacional humanitário.
Isolamento de Israel: Enfatizaram que a cena do plenário esvaziado simbolizou o isolamento do governo israelense perante a comunidade internacional.
Liderança no Global South: Celebraram o papel do Brasil como um dos protagonistas na denúncia das ações militares em Gaza na arena multilateral.


A situação política de Benjamin Netanyahu dentro de Israel é extremamente delicada, marcada por uma alta polarização interna, pressão constante das ruas e um cenário eleitoral incerto para as eleições gerais de outubro de 2026. 

Dependência da Coalizão de Extrema-Direita
Netanyahu governa sustentado por uma aliança com partidos de extrema-direita (como os de Bezalel Smotrich e Itamar Ben-Gvir) e legendas ultraortodoxas (como Shas e UTJ).
Sobrevivência condicional: Para manter a maioria de 61 assentos no Knesset (parlamento israelense), ele precisa atender às exigências desses aliados linha-dura, que rejeitam concessões territoriais ou cessar-fogo em Gaza.  
Refém do próprio governo: Qualquer aceno diplomático de flexibilização em direção aos EUA ou à comunidade internacional corre o risco de provocar o desembarque da extrema-direita e derrubar seu governo.

 Pesquisas Eleitorais e Projeções para 2026
Pesquisas de intenção de voto indicam um cenário altamente competitivo e desafiador para Netanyahu:  
Bloco Governista Ameaçado: As projeções mostram o bloco governista oscilando em torno de 49 a 54 assentos, abaixo do limite necessário para formar governo sozinho sem alianças com partidos de oposição ou árabes.  
Liderança da Oposição: Nomes como Gadi Eisenkot (ex-chefe das Forças de Defesa de Israel) e o ex-premiê Naftali Bennett aparecem à frente de Netanyahu nos levantamentos de preferência direta para o cargo de primeiro-ministro.

Pressão das Ruas e Crise dos Reféns
A sociedade israelense encontra-se profundamente dividida:
Protestos Semanais: Famílias de reféns e movimentos civis realizam manifestações constantes em Tel Aviv pedindo um acordo imediato para a libertação dos mantidos em Gaza e a convocação de eleições antecipadas.
Alistamento Ultraortodoxo: A questão da obrigatoriedade do serviço militar para estudantes ultraortodoxos (Haredim) é um ponto cego de atrito, dividindo a base secular das Forças Armadas e a ala religiosa de sua coalizão.

Processos Judiciais e Narrativa de Sobrevivência
Julgamento por Corrupção: As acusações judiciais por suborno, fraude e quebra de confiança seguem em andamento nos tribunais israelenses.
Efeito "Cercado": Diante do isolamento diplomático e das pressões externas (incluindo decisões de tribunais internacionais), Netanyahu reforça para sua base eleitoral a imagem de um líder forte, "o único capaz de resistir à pressão internacional" e defender a segurança soberana do país.

A oposição a Benjamin Netanyahu no parlamento israelense (Knesset) abrange desde a direita secular e o centro até a esquerda sionista e os partidos árabes. Diante da perspectiva das eleições gerais, o campo da oposição articulou novas alianças e novos partidos focados em derrubar o governo do Likud.

A eleição parlamentar em Israel tem data definida e regras específicas de votação:
1. Data da Votação
Dia do pleito: Terça-feira, 27 de outubro de 2026.  
(Diplomatas e cidadãos israelenses no exterior votam antecipadamente nas embaixadas no dia 20 de outubro).  
2. Turno Único (Somente uma vez)
A votação ocorre em turno único. O sistema eleitoral de Israel não prevê segundo turno para as eleições parlamentares.
Como funciona a eleição:
Voto no Partido (Lista Fechada): Os eleitores não votam diretamente no Primeiro-Ministro nem em candidatos individuais, mas na lista partidária fechada de sua preferência.  
Distrito Único e Proporcionalidade: O país inteiro funciona como um único distrito eleitoral. Os 120 assentos do parlamento (Knesset) são distribuídos proporcionalmente de acordo com a porcentagem total de votos que cada partido recebe.
Cláusula de Barreira: Para conseguir entrada no parlamento, o partido precisa atingir a cláusula de barreira de 3,25% dos votos válidos.  
O que acontece após o dia da eleição?
Como não há segundo turno, o processo pós-votação entra na fase de negociação de coalizão:
Após a apuração dos votos, o Presidente de Israel consulta os líderes de todos os partidos que conseguiram assentos no Knesset.
O Presidente concede a um líder partidário (geralmente quem tem mais chances de reunir uma maioria) o prazo para formar o governo.
O novo Primeiro-Ministro será aquele que conseguir costurar uma coalizão com maioria simples de pelo menos 61 dos 120 deputados.

O presidente de Israel hoje é Isaac Herzog, no cargo desde julho de 2021.  

No total acumulado, Benjamin Netanyahu soma quase 19 anos como primeiro-ministro de Israel, o que o torna o líder com mais tempo no poder na história do país (superando o pai fundador de Israel, David Ben-Gurion).


Essa contagem está dividida em três períodos distintos:
1º mandato (1996–1999): 18 de junho de 1996 a 6 de julho de 1999 (~3 anos).  
2º mandato (2009–2021): 31 de março de 2009 a 13 de junho de 2021 (~12 anos e 2 meses ininterruptos).  
3º mandato (Atual): 29 de dezembro de 2022 até o presente (~3 anos e 9 meses).
Somando os três períodos, ele acumula aproximadamente 18 anos e 11 meses no cargo.

O que Netanyahu já tentou (ou conseguiu) alterar?
Nos últimos anos, a coalizão liderada por Netanyahu promoveu e discutiu alterações legislativas direcionadas a fortalecer o Executivo e protegê-lo de processos judiciais:  
A Reforma Judiciária (2023): Buscou reduzir significativamente o poder de fiscalização da Suprema Corte sobre decisões do governo. O objetivo denunciado pela oposição era permitir nomeações políticas para juízes e enfraquecer o controle sobre o Executivo.  
A "Lei da Incapacidade" (Incapacity Law): Aprovada em 2023, alterou as regras sobre como um primeiro-ministro pode ser afastado. Pela nova norma, o premiê só pode ser declarado incapaz de governar por decisão própria ou por votação de 2/3 do seu próprio gabinete, impedindo que a Procuradoria-Geral ou a Suprema Corte o afaste por conflito de interesses devido aos seus processos por corrupção.  
Debates sobre Imunidade e "Cláusula de Superação": Aliados do governo frequentemente propõem leis para conceder imunidade total a premiês no cargo (estilo "Lei Francesa") e a Override Clause, uma norma que permitiria ao Knesset (parlamento) anular decisões da Suprema Corte com maioria simples.

Isso é legalmente possível em Israel?
Sim, do ponto de vista estritamente legislativo, é mais fácil mudar as regras em Israel do que na maioria das democracias ocidentais.
Por que o sistema facilita mudanças?
Ausência de Constituição Escrita: Israel não possui uma Constituição formal e rígida, mas sim um conjunto de Leis Fundamentais (Basic Laws).  
Regra da Maioria Simples: Para alterar a maioria das Leis Fundamentais ou criar novas regras eleitorais, o parlamento precisa apenas da aprovação de 61 dos 120 deputados (maioria absoluta do Knesset).  
Fusão de Poderes: Como quem forma o governo em Israel obrigatoriamente já possui o controle de pelo menos 61 assentos, o Executivo e a maioria legislativa são a mesma força política. Logo, uma coalizão unida tem o poder de mudar leis constitucionais.  

Quais são os limites e freios contra essas mudanças?
Embora seja tecnicamente possível aprovar leis no parlamento, existem barreira institucionais e sociais relevantes:
A Suprema Corte (High Court of Justice)
Mesmo sem Constituição escrita, a Suprema Corte atribuiu a si o poder de fiscalizar e derrubar alterações em Leis Fundamentais se entender que elas violam o caráter democrático do Estado ou configuram "abuso do poder constituinte". Em decisões históricas no início de 2024, a Corte já invalidou trechos da reforma judiciária do próprio governo.
A Pressão Popular e o Setor de Defesa
A tentativa de mudar regras democráticas gera custos sociais colossais em Israel. Em 2023, a reforma judiciária provocou os maiores protestos da história do país, greves gerais e ameaças de recusa de serviço por parte de reservistas das Forças Armadas e pilotos da Força Aérea.  
A Dependência da Coalizão
Para mudar uma lei eleitoral ou adiar eleições, Netanyahu precisa de 100% de coesão entre os deputados da sua base. Se um pequeno grupo de deputados de sua própria coalizão se recusar a votar por medo do desgaste eleitoral, a mudança legislativa trava.
O Cenário para as Eleições de 2026
Adiar ou cancelar as eleições gerais agendadas para 27 de outubro de 2026 exigiria uma alteração legislativa drástica sob a justificativa de emergência nacional de guerra. Embora a legislação permita o adiamento de pleitos em situações de guerra extrema, tentar usar essa ferramenta para perpetuação política dispararia uma crise constitucional sem precedentes e o veto provável da Suprema Corte.  
A estratégia de sobrevivência política de Netanyahu tem focado na manutenção da sua coalizão atual até o limite do mandato em 2026 e no gerenciamento da narrativa de segurança, em vez da abolição direta das regras eleitorais.


Do Boicote na ONU às Eleições de 2026: O Isolamento e a Batalha de Benjamin Netanyahu Pela Sobrevivência Política
O ano de 2024 marcou um divisor de águas no cenário diplomático internacional para Israel, e o desdobramento dessas tensões aponta diretamente para um momento decisivo: as eleições gerais de 27 de outubro de 2026. Entre a rejeição em fóruns multilaterais e a intensa polarização doméstica, a trajetória de Benjamin Netanyahu expõe as fragilidades e as estratégias do líder com mais tempo à frente do governo na história do país.

1. O Boicote na ONU: Bastidores de uma Ação Coordenada
Durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), o pronunciamento do primeiro-ministro israelense foi palco de uma demonstração de protesto diplomático. O esvaziamento do plenário não ocorreu por acaso, mas sim por uma articulação prévia entre blocos estratégicos:
A Estratégia de Saída: O Grupo Árabe, a Organização para a Cooperação Islâmica (OCI), a União Africana e delegações do Global South — como o Brasil — alinharam a retirada simultânea das bancadas. No exato instante em que Netanyahu subiu ao pódio, diplomatas se levantaram e deixaram a sala.
O Contraste no Salão: O piso principal da Assembleia Geral ficou visivelmente deserto, restando apenas comitivas de aliados próximos, como os Estados Unidos. Para contrabalançar as fileiras vazias e os protestos nos corredores, a equipe de Israel organizou uma claque nas galerias superiores de visitantes, de onde apoiadores irromperam em aplausos.

2. A Repercussão na Mídia Internacional e no Brasil
A imagem do plenário esvaziado repercutiu de formas contrastantes na imprensa global:
Imprensa do Global South e Oriente Médio (Al Jazeera, Anadolu): Apoiou o ato, enquadrando a debandada como uma vitória do direito internacional e o símbolo do isolamento diplomático de Israel.
Veículos Ocidentais Tradicionais (BBC, Reuters, The New York Times): Adotaram postura analítica, enfatizando a profunda fratura geopolítica e a perda de capacidade de mediação dos órgãos multilaterais.
Mídia Conservadora (Fox News, The Wall Street Journal): Criticou o boicote, replicando a narrativa do governo israelense de que a atitude representou "hipocrisia e covardia moral" diante do contraditório.
O Caso do Brasil
No cenário nacional, o encarregado do Itamaraty ordenou a retirada da delegação brasileira, em linha com a crítica contínua do governo ao custo humanitário das operações em Gaza e no Líbano. A imprensa brasileira dividiu-se: enquanto jornais tradicionais detalharam a articulação diplomática e veículos progressistas celebraram a altivez da política externa, setores conservadores criticaram a quebra do pragmatismo histórico da diplomacia brasileira.

3. A Crise Doméstica e a Oposição Unida em Israel
Se no exterior a pressão é diplomática, dentro de Israel o desafio é de sobrevivência eleitoral. Goverando em coalizão com a extrema-direita e partidos ultraortodoxos, Netanyahu enfrenta um cenário interno complexo:
Pressão Social e Institucional: Protestos semanais em Tel Aviv cobram acordos para a libertação de reféns e a criação de uma Comissão Estatal de Inquérito sobre as falhas de segurança do ataque de 7 de outubro de 2023.
Impasse do Alistamento Militar: A exigência de fim da isenção do serviço militar para os judeus ultraortodoxos (Haredim) tensiona a base de apoio do governo no parlamento (Knesset).
Julgamentos por Corrupção: O primeiro-ministro responde a acusações de fraude, suborno e quebra de confiança no Judiciário, o que amplia as divisões na sociedade.

4. As Regras Eleitorais e o Limite do Poder
Em Israel, o sistema político é parlamentarista. O país possui como Chefe de Estado o Presidente Isaac Herzog, cujo papel é cerimonial e de liderança moral, enquanto a condução política do Executivo cabe ao Primeiro-Ministro.
O Funcionamento do Pleito
Data Marcada: A eleição parlamentar ocorrerá em 27 de outubro de 2026.
Turno Único: A votação acontece em um único turno. Os eleitores votam em listas partidárias fechadas (distrito único nacional).
Formação de Governo: Os 120 assentos do Knesset são distribuídos proporcionalmente aos partidos que superam a cláusula de barreira de 3,25%. O líder capaz de costurar uma coalizão com maioria simples (pelo menos 61 deputados) assume o governo.
Netanyahu Pode Alterar as Regras para se Manter no Cargo?
Acumulando quase 19 anos no cargo ao longo de três períodos distintos, Netanyahu tentou implementar reformas institucionais profundas. A controvertida Reforma Judiciária buscava limitar o controle da Suprema Corte sobre as decisões do Executivo, e a Lei da Incapacidade bloqueou a possibilidade de afastamento do premiê pela Procuradoria-Geral por conflitos de interesse.
Como Israel não possui uma Constituição formal rígida — mas sim um conjunto de Leis Fundamentais —, a maioria parlamentar de 61 votos teoricamente permite alterar regras operacionais do sistema. No entanto, existem barreiras práticas e institucionais relevantes:

A Suprema Corte: Mantém a prerrogativa de invalidar reformas aprovadas pelo parlamento que violem os pilares democráticos do Estado.
Custo Político e Reação Popular: Mudanças nas regras eleitorais ou tentativas de adiamento das eleições sob pretexto de emergência disparariam crises institucionais de proporções históricas, agravadas pela reação de reservistas e do setor produtivo.
À medida que outubro de 2026 se aproxima, a disputa política em Israel consolida-se como um embate entre o projeto de continuidade de uma das figuras mais longevas do Oriente Médio e a articulação de uma oposição focada na renovação institucional do país.
Nilo Geronimo Borgna 
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Nossa Senhora Aparecida, Flávio, Fato ou boato

Vamos aos fatos.               Em 12 de outubro de 1995.                  O Bispo Van Helder no programa matutino  #DespertarDaF...